A Rua mais Antiga do Mundo pode ter sido encontrada na Turquia
Recentemente arqueólogos na Turquia divulgaram uma descoberta que pode reescrever algumas das nossas ideias sobre como nasceram os assentamentos humanos: encontraram no sítio arqueológico, na província de Karaman, o que pode ser uma das ruas mais antigas do mundo, datada de aproximadamente 9.750 anos atrás.
O achado
O que foi encontrado é uma passagem — ou “rua” no sentido mais primitivo — entre duas habitações de uma aldeia neolítica. Diferente de outros assentamentos bem estudados da mesma época, como Çatalhöyük, onde as casas ficavam tão próximas umas das outras que o acesso era feito pelos telhados, Canhasan 3 revela espaços deixados deliberadamente entre as estruturas. Isso indica planejamento espacial, situações de circulação, de interação comunitária, talvez até de circulação de animais etc.

O sítio Canhasan é antigo — suas camadas arqueológicas documentam ocupação contínua desde o período Pré-Pottery Neolítico até eras como a Idade do Bronze e Ferro.
Importância
1. Repensando o “urbano” antigo
Considera-se frequentemente que o surgimento de “ruas” ou vias de circulação organizadas é característica de sociedades já relativamente complexas, com cidades mais densas, ou em épocas posteriores. Essa rua/ passagem empurra para trás essa datação, mostrando que já existia alguma forma de planejamento comunitário, divisão de espaços, circulação organizada, antes mesmo daquelas civilizações mais famosas do Neolítico.
2. Contraste com Çatalhöyük
Çatalhöyük é quase um sinônimo de Neolítico na Anatolia: casas compactadas, sem ruas definidas, acesso pelas coberturas. Portanto, Canhasan oferece uma imagem alternativa de como viviam algumas comunidades neolíticas — mais espaçadas, com passagem entre casas. Isso mostra que não havia um único modelo de habitação ou organização social nesse período.
3. Relação com fatores ambientais e sociais
A existência desse tipo de rua primitiva pode estar ligada a necessidades práticas (circulação de pessoas ou animais, ventilação, segurança, acesso de luz, etc.), assim como a formas iniciais de divisão de tarefas e de logística comunitária. Ademais, Canhasan está em região fértil, com fontes de água e recursos naturais que permitiram ocupação contínua — um contexto que favorece experimentações sociais de organização mais complexa.
Ainda não se pode afirmar com certeza absoluta que se trate de “a rua mais antiga do mundo”, porque achados semelhantes podem existir ou surgir, e a definição de “rua” também pode variar (o que conta como rua, passagem comum, via pública, etc.).
O estado de preservação, amplitude, função precisa dessa passagem ainda está sendo investigado: se era usada como via de passagem de pessoas, de animais, ou tinha função ritualística ou comunitária.Comparações com outros sítios dependem de como datam os locais, das evidências arqueológicas disponíveis etc.
Essa descoberta em Canhasan 3 fortalece uma tendência muito interessante na arqueologia moderna: mostrar que humanos, quase 10.000 anos atrás, não viviam apenas como caçadores-coletores dispersos nem apenas como simples aldeias homogêneas; já estavam experimentando formas diversas de organização social e espacial. A passagem encontrada pode não ser longa ou monumental, mas simboliza uma semente de algo que viria a ser tão comum: ruas, vias de tráfego, espaços públicos.



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